AQUELE QUE SEMPRE ESTEVE PRESENTE NA NOSSA VIDA ESCOLAR


O CADERNO
                    

                        TOQUINHO

Sou eu que vou seguir você
Do primeiro rabisco
Até o be-a-bá.
Em todos os desenhos
Coloridos vou estar
A casa, a montanha
Duas nuvens no céu
E um sol a sorrir no papel...

Sou eu que vou ser seu colega
Seus problemas ajudar a resolver
Te acompanhar nas provas
Bimestrais, você vai ver
Serei, de você, confidente fiel
Se seu pranto molhar meu papel...

Sou eu que vou ser seu amigo
Vou lhe dar abrigo
Se você quiser
Quando surgirem
Seus primeiros raios de mulher
A vida se abrirá
Num feroz carrossel
E você vai rasgar meu papel...

O que está escrito em mim
Comigo ficará guardado
Se lhe dá prazer
A vida segue sempre em frente
O que se há de fazer...

Só peço, à você
Um favor, se puder
Não me esqueça
Num canto qualquer...(2x)

UM POEMA MUITO BOM SOBRE AS NOSSAS RECORDAÇÕES DE INFÂNCIA



   MEMÓRIA

Lembrar é fazer reviver?
É desfazer a calma?
É acalmar o ser?
É remexer a alma?
Ou seria desabrolho
de uma semente perdida
no fundo da tua terra
Dessa alma esquecida?
Onde está a memória?
Na pele, no olho, no cheiro?
Na minha e na tua história
do nosso instinto fagueiro?
Papel de bala deixado no bolso
Marca de um corte no pé
Pétalas de rosa no livro
Outra lembrança qualquer
Uma música de antigamente
Uma carta amarela de tempo
Uma saudade que dá na gente

Uma foto do casamento
Menina veneno
Vitrola e disco de vinil

Nega do cabelo duro
Eu sei que você ouviu
Brilho moranguinho
O fusca era show
Blak pawer, boca de sino
Eu sei que você usou
Milkbar era lolo
Jorge era Benjor
Gatinha era brotinho
Cheirava-se loló
Na memória da pele
Resistem as digitais
O afeto deixa marcas
E o tempo seus sinais
A voz rouca da professora
É um lembrar acolchoado
Deita sobre seu som
Um afeto bem guardado
O arco-íris aparecia mais no céu
E tinha banho de chuva
Uma cama quente depois
Caía como uma luva.
Uma colcha de retalhos
As mãos gordas da avó
Cheiro de café moído
Gostinho de leite em pó

O pai contando história
Biscoito pão a lenha
Geladinho de kissuque
Cada coisa é uma senha
O primeiro beijo
Uma caminhada na praia
O dia do vestibular
Lembra daquela saia?
O primeiro filho
Violão, fogueira e vinho.
O dia em que ela se foi
E ele ficou sozinho
Nos ouvidos uma música
No olfato um cheiro
No corpo um abraço
Em um lembrar fagueiro
Fica tudo numa caixinha
Que vai guardando vida
Por onde pisou nosso pé
E um mundaréu de coisas
Faz da gente o que a gente é.

NÚBIA PAIVA
            

            

REFLETINDO SOBRE AS EXPERIÊNCIAS

Inês Bragança - História de vida e formação de professores: diálogos entre Brasil e Portugal
É muito interessante o pensamento de Bragança principalmente por que ela nos faz pensar no que é a memória e a sua importância na construção do pensamento, as experiências na formação humana.
Segundo ela:

“São as experiências formadoras na força do que nos atinge que nos sobrevêm, nos derrubam e transformam inscritas na memória, que retornam pela narrativa não como descrição, mas como recriação, reconstrução”.
A abordagem autobiográfica, em grande significado em nossas vidas, pois trata de uma aprendizagem a partir da experiência, do conhecimento de si, e a reflexão critica de nossas próprias concepções. Segundo Bragança

“a aprendizagem experiencial proposta pela abordagem (auto) biográfica, implica três dimensões existenciais, o conhecimento sobre si, o conhecimento sobre seu fazer, sua prática e a reflexão critica sobre suas próprias concepções, traduzindo-se em uma atitude filosófica frente á vida”.
 

COMO EU GOSTARIA DE SER ENSINADA NA INFÂNCIA?

Quando eu era criança eu sonhava muito, como toda criança, meus pensamentos iam além da realidade, adorava brincar de casinha embaixo de um lençol colocado sobre a mesa, uma cadeira virava um avião e eu podia viajar para onde eu quisesse. Mas na escola era tudo tão diferente, tinha que fazer tudo que a professora mandasse, não podia pensar longe, pois logo estava chamando a minha atenção, e eu morria de medo da aula de matemática, pois ela segurava uma palmatória e quem não acertasse a tabuada levava “bolo” era assim que eram chamadas as palmadas, que coisa ruim, se estudar fosse bom não precisaríamos apanhar para aprender.

 Mas tinha professoras que eram ótimas, nos tratavam com carinho, nos davam chocolate, eu adorava “tartaruguitas”, era um chocolate em formato de tartaruga, eu fazia questão de acertar tudo, fazer todas as atividades só para no final da aula ganhar uma doce recompensa, “tartaruguitas”.

Apesar de professores bons e ruins, eu sempre quis uma professora que fosse amiga, que brincasse com todo mundo, que não gritasse que contasse histórias, que não fosse aquela general detentora de todo saber, achando que fossemos depósitos para depositarem tudo que sabia. Queria sim uma professora que fosse diferente de pai e mãe, mas que tivesse todo cuidado que eles têm. Que fosse aquela que nos ensinasse e que também escutasse as nossas opiniões sem ignorá-las. Que no lugar de limitar nossos pensamentos nos fizesse ir mais alto, e mais longe do que nunca tínhamos ido antes, esse era o meu sonho de professora quando criança.